Entenda o que é a redução de pressão nas tubulações

A Sabesp tem divulgado rotineiramente novas medidas para diminuir o desperdício de água em tempos de crise hídrica. Uma das que mais ouvimos falar é a redução de pressão nas tubulações, mas o que significa essa medida? No que ela pode afetar a vida dos moradores?

Essa alternativa ao alto consumo, como o próprio nome diz, diminui o volume de água que passa na tubulação de abastecimento dos bairros. Segundo a Sabesp, é feito um acompanhamento digital sobre o volume de água que está sendo utilizado em diversos pontos e, a partir disto, é feita a redução de pressão nas tubulações que estão com uso abaixo do comum para diminuir a vasão de água em vazamentos e fraudes.

Toda a rede de abastecimento de água das grandes cidades é dividida em diversos setores. Dessa forma, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo pode monitorar o uso de água em determinadas regiões e controlar a força.

Durante a madrugada, a redução de pressão nas tubulações acontece em boa parte das cidades brasileiras. Isso porque a maioria das pessoas está dormindo e as atividades empresariais são fracas. Com isso, a queda no consumo é alta.

Nos últimos tempos, por conta da baixa estiagem, a Sabesp aumentou o monitoramento do uso de água e implantou a redução de pressão em muitos bairros e cidades de todo o Estado. A lista é grande, mas você pode conferir se o seu bairro ou cidade está com redução no site da própria Companhia.

Ao contrário do que muitos acreditam, a redução de pressão nas tubulações não tem nada a ver com o possível rodízio anunciado pelo governo estadual. Veja a diferença dos dois:

  • Na redução de pressão nas tubulações, uma válvula controla a quantidade de água que é enviada para determinada região. A proposta é diminuir o desperdício sem prejudicar o abastecimento.
  • Durante o rodízio de água, o abastecimento de água para. Com isso, as pessoas não tem água nas torneiras e ainda existe o risco de contaminar a tubulação.

Ao que tudo indica, essa medida tem trazido bons resultados. Segundo a Companhia de Abastecimento do Estado de São Paulo, a vazão de água do Sistema Cantareira diminuiu 14,7 m³/s, redução de mais de 45%, e a redução de pressão das tubulações foi responsável por 52% dessa redução.

Riscos da redução de pressão

Apesar de toda a economia promovida através dessa iniciativa, a principal medida da Sabesp tem enfrentando fortes críticas. Segundo especialistas, a redução de pressão nas tubulações aumenta o risco de contaminação da água de forma semelhante ao rodízio.

Isso porque não entram impurezas na tubulação por conta da redução de pressão, mas se o uso for maior do que o volume de água que passa pelos canos, pode haver pressão negativa em certos pontos. Nesses casos, corre o risco de entrar bactérias, esgoto e ar na tubulação de abastecimento.

Quando existem rachaduras e pontos da vazão, a pressão da água que passa pelos canos faz com que o líquido sai da tubulação exercendo pressão que não permite entrar impurezas nos canos, mas e a pressão for negativa, acontece o contrário.

Entrevistada pela Folha de S. Paulo, a hidrologista Newsha Ajami, do programa Water in The West, de Stanford, revela que essa medida aumenta o risco de contaminação. Segundo ela, a alternativa não está sendo utilizada na Califórnia, estado norte-americano que também enfrenta período de seca.

Comments for this post are closed.